quinta-feira, 19 de junho de 2008

As figuras imaginárias têm mais relevo e verdade que as reais. Fernando Pessoa

Não sei se por estar tão realmente distante ou se por estar tão imaginariamente perto sinto verdadeiramente real o que no meu imaginário me acompanha. É neste sedentarismo nómada que regularmente me encontro e onde desvendo os meus mais sinceros sonhos... Liberto-me na prisão do tempo... Prendo-me na liberdade do espaço.

Sempre contigo... Sempre com ele... Sempre connosco.

(escrito no mar, na madrugada de 17 de Junho de 2008 e publicado na Ilha das Flores)

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Quando se está muito aflito acredita-se em mais coisas. Pedro Paixão

Talvez nunca tivesse pensado nisso mas é uma realidade provável, um bicicleta rebocada por outra bicicleta!

Pois é! Depois de me deixar convencer pela amizade e me sujeitar à aventura de pedalar numa máquina desconhecida por caminhos estranhos eis que a probabilidade se torna realidade.

"F#*!$-se! Partiu! E agora?!?!?"

Não fosse o velho fiel aficionado do rally (que por obra do Senhor estava a decorrer nas bandas onde resolvemos deambular) ainda agora estaria perdido nos meandros daquela imensa flora. "Amigos corda não tenho mas tenho cordão! Opá! Isso também serve! Venha de lá esse cordão! Agora pedala!"

Doze quilómetros depois, muito riso e estranheza de quem connosco se cruzava na via pública eis-nos de regresso ao conforto do lar. Ou mais ou menos porque a àgua do banho quente não estava nos planos! Hilariante!!!! :)

Mas porque inspiração divina é que resolvi ceder à pressão da amizade?!

Talvez porque é a amizade que nos leva a caminhar nesta longa estrada que solitariamente muito nos custaria percorrer.

(Com muita amizade para o meu Grande Amigo e Mestre! Estás aqui!) :)

segunda-feira, 12 de maio de 2008

E se procurarmos encontrar o que quer que seja, saímos de nós e, descentrados, logo nos desequilibramos. O impulso que nos serve para ganhar balanço é o mesmo que nos faz cair quando queremos estacar. O entusiasmo, aliás, não é mais do que uma breve suspensão no movimento da queda. Por demais estranhos somos nós. Como tudo o que ousou levantar-se. Por demais iguais, aguardando, por mais que nos enganemos, a vida noutra vida que não esta.
Não sabemos como procurar, nem onde encontrar, nem, afinal, sabemos o que procurar. Somos assim, tão perdidos que nos agarramos sem sequer podermos tocar. Pedro Paixão

Basta talvez procurar sem pretender agarrar...

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Somos madeira que apanhou chuva. Agora não acendemos nem damos sombra. Temos que secar à luz de um sol que ainda há. E esse sol só pode nascer dentro de nós. Mia Couto

Ouvi um dia que este Senhor nasceu num berço de palavras! Digo hoje, que as palavras nasceram com ele.

sábado, 26 de abril de 2008

A água quente cai com o mesmo barulho que a água fria. A sombra das coisas de qualquer cor é de uma só cor. O mundo é só um mundo entre muitos outros e podia ser muito diferente do que é. Pedro Paixão

Porque insistimos em ser tão diferentes quando o nosso destino é o mesmo e a nossa essência única?

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Porque entre o nosso tempo e o tempo dos que nos rodeiam nem sempre existe aquela disponibilidade emocional para manter intacta a tolerante amizade paciente.

Não sei o que é o tempo. Não sei qual a verdadeira medida que ele tem, se tem alguma. A do relógio sei que é falsa: divide o tempo espacialmente, por fora. A das emoções sei também que é falsa: divide, não o tempo, mas a sensação dele. A dos sonhos é errada; neles roçamos o tempo, uma vez prolongadamente, outra vez depressa, e o que vivemos é apressado ou lento conforme qualquer coisa do decorrer cuja natureza ignoro.
Julgo, às vezes, que tudo é falso, e que o tempo não é mais do que uma moldura para enquadrar o que lhe é estranho. Fernando Pessoa

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Numa dessas visitas protocolares de boas vindas ao novo sangue da família recebemos uma das prendas mais simbólicas... Um livro. Mas não um livro qualquer. Um livro muito especial. Especial essencialmente para quem o ofereceu. Um livro que há mais de dez anos tem preenchido e enriquecido o nosso rei mago.
Especial para nós porque sentimos que nos foi ofertado algo de muito pessoal, algo muito sincero, muito sentido.
Muito obrigado a todos por receberem tão bem o nosso arcanjo.
Queixava-se um discípulo ao seu Mestre:
"Que belas estórias o senhor nos conta; mas nunca nos revela o seu sentido."
E respondeu o Mestre:
"Se alguém te desse um fruto,
já meio comido e mal saboroso,
tu gostavas?"
O sentido das coisas é um bem que ninguém dá;
É uma descoberta pessoal! Anthony de Mello in O canto do pássaro