Mostrar mensagens com a etiqueta globe trekker. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta globe trekker. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 30 de março de 2010

Marrocos I


Já demorei mais tempo em aeroportos europeus.

Passo pelo detector de metais, rolo pelas escadas, dou três passos e entro na gare de Casablanca. Que fluidez!
Partilho a carruagem com alguns turistas que entre cartas e conversa preenchem o tempo. De Casablanca a Marraqueche são quatro horas de comboio incluindo a mudança em Casa Voyageurs.

Recordo os comboios urbanos de Lisboa e os Regionais do Douro. A semelhança é estranha. Viajo com a minha asa o que me torna limitado no espaço. Ocupo dois lugares na carruagem. Um casal aproxima-se e com o olhar pergunta-me se pode ocupar um dos meus lugares. Cedo gentilmente e inicio uma longa viagem de ladex. Com a asa a ocupar metade do corredor passo grande parte do tempo a movimentá-la para que se possa circular no comboio.

Espanta-me o verde marroquino. Afinal aqui também chove. E se choveu este Inverno.

Avisto o Atlas nevado no horizonte. Tudo muda para vermelho. Estou a chegar a Marraqueche. A primeira e a última estrutura que se avista nestas cidades são os minaretes. Parece que o meu tem que ser sempre maior do que o teu!

Esta estação é extraordinária! Tudo imaculado. A monarquia sente-se. Taxi?! La shukran! Oh! Egypt! Julgo que me confundiram com algum turista egípcio. Mas felizmente foi o suficiente para afastar os quezilentos taxistas. Quero apenas deambular pela cidade enquanto espero pela minha boleia.

Percorro a Avenida Mohamed VI. Procuro um ciber-cafe onde possa informar os meus de que estou bem.
Com cautela livro-me das inúmeras MBK que como insectos voam por todo o lado. Perco-me na vida destes passeios. Têm de tudo. De simples mercearias a mecânicos itinerantes qual engraxadores de sapatos alfacinhas.

Chegámos a Aguergour. Estamos no acampamento base desta expedição. A cozinha de Chez Latifa é deliciosa. Tagine kefta para o jantar partilhada por um português, um inglês radicado, uma marroquina, um gaulês e um francês. O serão promete. O chá chegou e está deveras quente para mim.

Começou! Estou em Marrocos!

sábado, 20 de março de 2010

novamente para África...

Estou prestes a voltar à estrada. Ou melhor à terra batida africana.

Depois de vencida a ansiedade de como chegar à Marraqueche tudo começa agora a ganhar consistência e cor.

Já fui e voltei ao Magrebe mais de um dúzia de vezes nos últimos dias. Preparar a viagem é sempre mais árduo do que fazê-la.

Pisei pela primeira vez Marrocos em 2001. Recordo-me do cheiro nauseabundo do Porto de Casablanca e da ostentação da Mesquita Hassan II. Avistou-se de bem longe o Minarete, aliás conforme avisado pelo Navegador da Barca.

Lembro-me também de por inocente medo ter recusado viajar de comboio até Rabat. Fiquei pela Medina que em nada oferecia mais segurança. Enfim! Mas aos vinte anos falta sempre qualquer coisa e a mim faltou agir com o coração.

Anos mais tarde voltei para resgatar a honra e percorrer alguns quilómetros de comboio e mochila às costas. Ficou Chauoen pelo azul, Fés pelo cheiro das peles de gado a tingir e Meknes
pelo quarto dos fundos com azulejo verde até ao tecto.

Regresso agora para me encontrar com a Montanha. Voarei no Atlas se Eolo permitir e aterrarei no Toubkal se audácia e perícia mostrar.

Depois de aterrar em Casablanca viajo para Marraqueche de comboio. Espero no crepúsculo vespertino saborear o vento seco do deserto suspenso naquela que será a minha companheira de viagem. Que eu nunca lhe falte e que ela nunca se recuse a abrir.

(desta vez vou munido da Loperamida orodispersível. disso não me esqueçerei!)

sábado, 16 de janeiro de 2010

Crónica de um Bairro Alto

Mal saio para a rua reparo num papagaio perdido cujo padrão colorido me traz à memória a manchete de um jornal lido ontem na banca da esquina. "Igreja abandona as Noivas de Santo António". Será o medo de casar aqueles que por estas travessas bairristas livremente demonstram o seu afecto?

Desço a Rua das Gáveas e viro na Travessa da Espera. Pergunto-me se não chove nesta cidade. Se tal acontecer onde se abrigam os veraneantes? Debaixo das varandas inexistentes?

Procuro fugir ao Fado e às cozinhas típicas portuguesas que apenas o são para turistas embriagados com a melancolia nostálgica da nossa cultura. Oiço pela janela de um restaurante italiano o sopro do Jazz. Cruzo-me com um Woody Allen português de óculos de massa e cigarro no canto do lábio. Sigo pela Travessa dos Fiéis de Deus onde sinto o peso de uma cultura judaico-cristã presente em quase todas as ombreiras de porta. Olho em frente e desaguo na Rua da Misericórdia. Guiado pelo Tejo pergunto ao Poeta qual o melhor local para me saciar entre lisboetas quotidianos. Sigo o seu olhar e dirijo-me para os Armazéns.

"-Passado o Carnaval acabou!" Apregoa o homem das castanhas que perfuma o ar de uma dessas esquinas.

Entre pombos que entretêm crianças na esplanada e estátuas que decoram fotografias cruzo-me com um casal chino recentemente assediado por um Relações Públicas de um restaurante de arcada. Seguimos juntos na calçada até à porta dos agora cosmopolitas Armazéns do Chiado.

Desço ao esgoto da cidade. Haverá sempre espera na toilette feminina. Recordo o preço que paguei para satisfazer a base de Maslow, protegido do vento gélido berlinense faz precisamente um ano. Emergo à restauração. Ao fundo a Universal Hamburgueria. Igual a si própria. Factor de escala perfeito para melhor compreender a projecção no Mundo do Mundo de cada cultura e povo. Cruzo o olhar com um corpulento homem, que há minha frente degusta o poder refrescante do amrit americano. Isolado na sua esfera i-pódica partilha comigo a solitária refeição, dissolvidos entre colunas, onde "Prevenir está nas suas mãos" e ao alcance de uma gota de desinfectante viral.

O creme de cenoura tem um tempero especial. Talvez por ser das poucas fugas possíveis, a uma gastronomia predominantemente carnívora, que um comensal vegetariano pode seguir.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Long Island Around

Alvorada que o sol já vai alto!

Subimos a pé até ao rent-a-bike decididos a sair dali com dois cavalos de viagem.
Seguimos a via rápida até Machico, por indicação de outro cavaleiro, e ai viramos para norte no caminho para Santana.

Bolo do caco no Forno! Pisca para a esquerda. Uma pausa para o café e para o quebrar do jejúm. Afinal Bolo do Caco não tem. "Mas tenho pão quente acabado de sair!" Venha então de lá esse manjar.

Pé na estrada até Porto Moniz. A costa norte revela-se à nossa frente. Uma paisagem única! Uma sensação de imensidão esmagadora. Serpenteamos por túneis e ravinas. Passamos o turístico Véu da Noiva e perdemos a nacionalidade imersos na multidão.

Subimos para sudeste rumo ao Paúl da Serra. Avistamos o parque eólico e esperamos que um piloto de voo livre descole. Descemos para o Arco da Calheta. "Ups! Estou a ficar sem gota!" Como se não fosse suficientemente stressante estar sem gota, seguimos agora na direcção oposta. Aqui escolher a estrada errada pode significar "quilhómetros e quilhómetros" sem ver uma única bomba de gasolina, o que neste momento é tudo o que procuramos. No ponto de não retorno páro e tento avisar o meu companheiro de viagem que temos que descer em direcção ao mar. Segue em frente sem reagir ao meu sinal. Agora é que a coisa complicou. Espero na beira da estrada e passados menos de 20 minutos eis que regressa no meio da bruma e aos pulos em cima da mota. "Já tenho gota!" :)

Serra d'Água e a sua poncha - a próxima paragem. Mais uma atracção túristica em que português só mesmo por trás do balcão e em alguns dos cartões que decoram as paredes.

Daqui para o Cabo Girão são apenas algumas curvas mais. "Isto é alto pa c#$%#&!!!" Relembramos a proeza do Mário e da sua mota amarela. É preciso determinação para saltar daqui montado numa mota.

Do planeado falta o Curral das Freiras. "Uuuuuuuuuuuuuuuu! Brutaaaaaaaaaaaaaaaal!" Oiço entre o som do motor quando curvamos para o vale do Curral! As curvas hipnotizam-nos e desembocar na vastidão daquele vale deixa-nos sem capacidade de articular mais do que alguns vernáculos.

Como ainda nos restam algumas horas de sol decidimos seguir até à Ponta de S. Lourenço - o extremo leste da ilha da Madeira. Quando atravessamos o Funchal perdemo-nos mutuamente. Como combinado antes de partirmos em viagem. Se nos perdermos encontramo-nos no próximo destino falado. E assim fiz. Sigo sozinho até ao Caniçal. Espero! Nada! Siga para a Ponta de S. Lourenço. Percorro aquela paisagem marciana já cansado. Chego ao fim da estrada - uma rotunda. Contorno e volto para o Funchal. Detesto a via rápida e adoro voar baixinho no Duplo túnel do Caniçal! ;)

O cansaço é enorme mas fica na memória mais um dia muito bem passado entre cavaleiros do asfalto. El perro sigue caminando e eu continuo para bingo!

domingo, 10 de maio de 2009

carcavelos

igrejas sobredimensionadas que serviam de marca de entrada no porto de Lisboa. lajes sulcadas para que os bois não patinassem na entrada das adegas. mães d'água paleolíticas ainda a debitar água. agricultura urbana que não passa de ancestarais hortas. torres convertidas em marcos geodésicos que em tempos serviam de miradouros do cultivo. quintas e mais quintas. tudo começou na água e tudo acabou no vinho. o vinho generoso de Carcavelos. e tudo passou por parar à porta da Primavera e cantar os parabéns, qual janeiras, a esta centenária pastelaria de Carcavelos. e segundo uma memória viva, o primeiro comércio a ter televisão por estas bandas - escusado será dizer que longas eram as filas de espera para entrar e assistir ao que a caixinha mágica mostrava. Professor Fernando Catarino, Muito Obrigado! Um dos melhores comunicadores deste Mundo!

Para o Senhor dos e-mails (Sr. Rogério Carmona) fica aqui o meu pagamento. vale bem a pena enviar um e-mail (rumoaocentenario@gmail.com) para saber em primeira mão qual o próximo encontro. e vale ainda mais a pena participar. umas horas bem passadas, muito culturais e acima de tudo muito divertidas.

Já agora... a técnica da pintura com terra é simplesmente maravilhosa. garantidamente a que mais utilizarei doravante.

domingo, 3 de maio de 2009

castilla y leon

sem os bancos de trás pois ainda temos que dormir no carro!

pernoitamos na primeira aldeola que nos ofereçe confiança. o raio do colchão devia aguentar a noite toda sem perder o ar! Béjar... a primeira visita destes três dias de caminho. seguimos a música na procura do ensaio da banda filarmónica para as festas da cidade. encontramos um tocador de teclas acompanhado por um cantador e por dois "colectores" de moedas que voam das janelas como quem diz... "Por favor calem-se!"

pé na estrada que o sol já vai alto! passamos por Ávila. visitamos as monumentais muralhas e a sua cidade "enclavada". é grande demais para passarmos aqui a noite. seguimos para Segóvia. Paramos em El Barco de Ávila. simplesmente deliciosa. fica a vontade de regressar.

são brasileiros? não. portugueses. e tu não és espanhola? sou dominicana. o sotaque não perdoa.

acordamos em Segóvia com o canto do vizinho do lado. viva o luxo! ou não! o aqueducto e o alcazar são dislumbrantes. a máquina fotográfica resolveu não funcionar mais. boa! a partir de agora só com telemóvel.

seguimos viagem. visitamos a mais antiga praça de touros de toda a España! um valor histórico tremendo.

procuro nas colinas uma descolagem referenciada. nem no turismo me conseguem indicar o caminho. siga para Pedro Bernardo que ai é certo.

Piedralaves! uma surpresa muito agradável. La bodeguilla! tapas ao som do rio. memorável.

está tudo cheio por estas bandas. mais uma noite no carro. não há-de ser nada!

200 pilotos. todos para o ar. o podium é nosso. 1º e 3º lugares em português.

passaporte carimbado. pé na tábua que a saudade aperta.

cochinillo de segovia. uma especialidade demarcada. já agora.... júdias são feijões. começo a ser conhecido mundialmente pelas perguntas mais difíceis de responder. Deus me guarde!

terça-feira, 7 de abril de 2009

28 para os Prazares


Baixa-Chiado! Subimos para o Largo e entramos no segundo 28. O primeiro rebentava pelas costuras com tanto turista.

Lisboeta há mais de 29 anos e nunca me tinha sentado nestes bancos. "Quem distrai o guarda-freios também é culpado!" Procuro e não encontro o aviso. Passou a Lenda na inglória procura!

Entre o fernesim dos freios e o faiscar dos cabos chegamos ao fim-da-linha. Cemitério dos Prazeres! Nada disto estava planeado. Tudo isto é muito nosso. "Tudo isto é fado!"

Rua 1 - 4371! Aqui repousaram os restos mortais do meu Poeta - Fernando Pessôa (1888-1935). Sinto a sua presença e mais estranho, ainda, a calma desta local. O Fernando Ribeiro dos Moonspell dizia, numa entrevista, que este é o seu local preferido. Acho que agora o consigo entender. Os cedros marcam presença e diluem o macabro dos símbolos de passagem.

Regressamos no 25 para a Rua da Alfândega. Passamos pela Rua das Trinas e antevejo o meu futuro próximo. Saimos em Santos. Atravessamos a Avenida. Sentado no banco da estação reparo na bandeira francesa, içada na sua embaixada. Curioso... Depois de uma manhã tão portuguesa...

segunda-feira, 16 de março de 2009

Porque não?

Hoje foi o primeiro dia. Amanhã a continuação.
A minha Fortuna tem muitos quilómetros para rodar as 20 polegadas.

sexta-feira, 13 de março de 2009

A Casa do Mundo

Há depois a parte metafísica, a iniciação. Creio que uma viagem é sempre uma descoberta. Uma peregrinação. Coisa pessoal. Tiago Salazar

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

IR873 para a Régua

Este não é decerto o caminho mais perto. Não pode ser! É já aqui! Campanhã! Chegamos! Faltam 5min para o comboio partir e ainda tenho por comprar o bilhete.

Para a Régua por favor. Linha 13!

Escolho a carruagem e espero pelo apito.

Ora ai está! O carrinho do chá ou café. Igual em qualquer parte do mundo. Caro como sempre!
Apercebo-me que está a nomear os principais ingredientes de cada uma das sandes. No fim a senhora opta pela pequena garrafa de água apenas. Fica no ar a impressão de que a decisão foi motivada pelo abusado preço do género. A senhora tem fome? Observo incrédulo. Uma jovem mulher oferece a esta idosa senhora o bolo que traz na mala. Por solidariedade, por pura compaixão. A ansiã recusa alegando que em breve chegará a casa.

Já valeu a pena embarcar neste vagão. Esperava vislumbrar, a para mim, desconhecida paisagem do Douro entre o Porto e a Régua, e acabo de assistir a uma das maiores lições da vida, a solidariedade fraterna.

Sigo até Godim. Este comboio está à espera do que vem da Régua e segue para o Porto. Está na hora! Vou saltar agora! Corro para a plataforma. Espero que o comboio descendente passe, e pendurado na porta entro carruagem a dentro.

Regresso agora ao Porto. Pela janela vejo o Douro banhado de ouro vespertino. Regresso mais conhecedor. Regresso mais humilde. Regresso mais eu.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Casa de chá

Casa de chá da Boa Nova (1958-1965)

Siza Vieira em perfeita harmonia com a sua cidade natal.

Servido um dos melhores bolos de chocolate num ambiente bonito, aconchegante e muito intenso a mofo.

Vale pela vista e pela obra. Com a melhor companhia pelo intimismo.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Voltar...

Tenho que voltar!
Volto sempre a India!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Transgermânico III (the last but not the least)

rise and shine!

está a vibrar! o meu bolso! olho para o relógio de parede do Bombay Bar. saio apressado para a rua. abrigo-me sob a ombreira de uma porta qualquer. entre palavras desembrulho os dois pacotes que viajavam na minha algibeira desde Den Helder. pela primeira vez passo o meu aniversário sozinho num pais estranho. sinto-me verdadeiramente do mundo.

segunda cena de pancadaria provocada pelo álcool. para mim basta! ainda saio pela janela sem ter feito qualquer casting para este filme.

abandono a festa. pé na estrada que o metro já abriu.

percorro as ruas procurando, reconhecendo as montras, encontrar o caminho de regresso à estação do metro onde desembarquei horas antes. Uuuppsss! era suposto a porta abrir. boa! são 03h51m e estou sozinho numa rua escura, à porta do metro - zavřeno! a ideia de caminhar tranquilo por estas ruelas como se para o trabalho me dirigisse está a tornar-se emocionalmente díficil. good evening! Is the station closed? o velhote que do outro lado do passeio varria a rua responde-me num dialecto completamente indecifrável. não vai ser fácil mas vamos conseguir comunicar. esforça-te! entre gestos e palavras desconhecidas para ambos chego à conclusão que na próxima tranversal existe uma paragem do eléctrico que me pode levar até à estação dos comboios. agradeço a colaboração. o velhote despede-se com um sorriso fraterno e um toque paternal no braço.

deve ser aqui! porra! que mania de sair na estação anterior. mais estradas abandonadas entre chaminés industriais que pintam em tons cinzentos os meus maiores pesadelos. caminha à frente do medo que ele acabará por te abandonar.

não acredito!!! o meu comboio não parte desta estação mas sim da estação central de Praha. mas porquê?!?!?! corro para o metro, agora já a funcionar e encontro-me com um daqueles bandos de turistas asiáticos que nos deixam sempre mais relaxados. se houver confusão eles são mais do que as mães e a coisa há-de ficar por ali.

entro no metro seguido de uma figura que me desperta a atenção pela passividade assertiva do olhar. encosto-me à porta. afinal são só três paragens. a figura interessante aproxima-se de mim. num gesto discreto mostra-me um crachá. ok?! à paisana já percebi que estás. polícia? SEF? passport não disseste. ok! só podes ser o revisor. confiante mostro-lhe o bilhete. olha para mim. aceita o papel que lhe dou e... tick-tick! é o pica! ufa! estes tipos não perdoam. 05h10m. primeiro metro do dia. pica à paisa. vida dura esta!

toalety! a pagantes como costume por estas bandas. lavo a cara e as mãos. reparo que se pode tomar banho nesta estação. aluga-se toalha (ou não) e por poucas coroas podemos lavar e aquecer o corpo. bem bom para quem anda de mochilão às costas e está só de passagem. fica para a próxima.

lugar reservado. tranquilo. vou aproveitar para dormir enquanto o sol não nasce. o olhar mafioso aterrorizou-me. no meu camarote. no lugar por mim reservado estão dois arianos espadaúdos. trancam a porta com violência tal que instintivamente levanto as mãos em sinal de paz. recuou sem perder o olhar. entro num camarote vazio algumas portas ao lado. porta trancada. ar quente no máximo - a única opção. ligeira abertura da janela. ainda sufoco com o calor. corpo relaxado q.b. sobre o banco. fecho os olhos e adormeço.

truz! truz! truz! ainda não me levantei já a revisora me entra pelo camarote dentro. bilhete verificado. avisa-me que o comboio não segue até Cheb. é preciso uma ligação de autocarro que demorará cerca de meia hora. maravilha!!! querias aventura? então ai tens! meia hora no meu meio de transporte favorito com as estradas nas melhores condições possíveis... geladas! se sobreviver juro que volto aqui. juro!!!

o comboio parou. está na hora de sair. jamais esquecerei esta imagem. todos em coluna, ao longo dos carris, por um entre dois comboios imóveis. o meu horizonte são os calcanhares da idosa que sigo. o fumo da respiração dissipa-se no ar gelado. estou a caminhar para o meu fim. já vejo a luz ao fundo!!! estou no mais profundo checo! lindo!

Cheb. finalmente. de uma carruagem estilo marroquino passo para um comboio avant garde! um funicular que transpõe a fronteira e me entrega aos alemães. confesso que o sentimento de concretização me invade. venci todos os medos e estou a ter uma das melhores experiências interiores da minha existência.

como é que é possível o ICE chegar atrasado. acabo de perder o comboio de ligação. onde são as informações? está resolvido. apanho um suburbano de ligação. que melhor maneira de me embrenhar nos costumes locais. viajar entre aqueles que regressam a casa da escola e do trabalho. maravilhoso!

pelos cartazes publicitários apercebo-me que entro agora de novo nos Países Baixos. combino o encontro em Eindhoven. desce as escadas. abraçar alguém tão querido depois de todo este tempo é mágico. welkom amigo! obrigado!

chegamos a Tilburg! como é que sabes qual é a tua bicicleta? no meio da multidão de pedais lá está ela. a primeira bicicleta genuinamente holandesa em que viajarei. sento-me no monta cargas e sigo guiado até ao supermercado. é preciso comprar os géneros e o vinho para o nosso jantar.

banho. as melhores bolachas holandesas. jantar. vinho. chá. uma representação autobiográfica simplesmente maravilhosa. butoh. conversa em dia. pé no pedal. -2ºC! o windchill torna-me as extremidades insensíveis ao toque. o maior edíficio habitacional da Holanda! repito o itenerário do comboio pela enésima vez. combinado o próximo jantar. um abraço prolongado. o olhar brilhante. sigo para norte que o caminho ainda se faz.

Amsterdam! this train goes to the airport? yes! desculpa?! és portuguesa?! sou! estás a ouvir Bossa AC não é? o altifalante do telemóvel denunciou-te. três dedos de conversa. destino: Lisboa ou.... Den Helder!

último troço... Alkmaar-Den Helder. estou quase de volta.

(your eyes only... muito obrigado amigo! sabes bem o que significou para mim estar contigo neste dia! take care!)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Transgermânico II

temes o desconhecido pois o vazio não é natural.

Dresden! última grande urbe alemã. Se Praha estiver tão fria, eu é que não durmo na rua!

com o frio a bateria da minha velhinha Pentax descarregou num ápice. imprevistos que se podem bem prever. may i charge this here? parece retórica. a resposta do barman férreo resumiu-se a um mono sílabo que entendo ser... não! se bem me lembro o primeiro comboio tinha tomadas eléctricas junto às janelas, na segunda classe. também já estou cansado do bar mesmo. voilá!

vejo as primeiras ruínas de beira de linha. é esta a minha imagem do leste europeu. cicatrizes da guerra e da instabilidade social.

seleccionar rede? VODAFONE CZ!

praha holesovice! meu Deus. os olhares perdidos aterrorizam-me o corpo. sinto o sangue fugir-me do peito. simpático ou parasimpático? um dos dois vai tirar-me daqui! 26 koruna! m....! Euro só nas tabancas de câmbio. arggghhhh! ATM! a solução ou o início da fuga em frente. são 22h e estou na estação mais assustadora que alguma vez pisei. e ainda por cima tenho que levantar dinheiro. as fatias do queijo começam a alinhar-se. só espero que aqui o ratito não esteja do outro lado, à espreita, quando dispararem.

coroa checa nas unhas. bilhete do metro na mão. deixo a escadaria para o sub mundo checo. mas o que é isto! estou em Londres. no meio do vazio social surge um tube de padrões britânicos. e a gente passou de besta a bestial num iato emocional.

isto é dislumbrante! staromestske namesti! o relógio astronómico! ouço as badaladas e espero como tantos outros pacóvios turistas pelo movimento perpétuo. na língua que todos entendem, gesticulo para a mulher dos cachorros quentes. last time! nine o'clock! okapa! estou literalmente a olhar para o boneco. não se vai passar nada até amanhã de manhã.

procuro nas portas qual o bar onde pernoitarei. perco-me na cidade como é apanágio. reencontro-me num casal de polícias que me indicam a ponte.
karluv most! qualquer semelhança entre Praha e Coimbra... não é pura coincidência. troca-se vltava por mondego e o castelo pela universidade.

atravesso enconstado à linha de meia ponte. à agua parece gelada e o ambiente cada vez mais escuro. foto na outra margem. segundo objectivo alcançado.

regresso à praça. falta encontrar um bom lugar onde passar as poucas horas que me restam até ao próximo comboio.

greetings? you know? it's normal! juro que não estou a entender. apenas perguntei a este taxista onde fica uma rua. estou quase a ser espancado. por não o entender espero. faz um esforço. greetings? só pode estar a referir-se às expressões de cortesia. não posso acreditar que queira grojeta por me indicar um rua. sorry! good evening?! yes! good evening! I truely don't understand you! sorry! I'm really sorry! por entre dentes lá me indicou a rua e eu lá percebi que nunca mais me aventuro sem conhecer bem as expressões de cortesia do pais visitado. no mundo árabe já me tinham dado jeito mas parece que não interiorizei a lição. foi por pouco.
bombay bar! open from dust till dawn! nem por acaso. fico por aqui que o som agrada-me e a gente é gira!

faltam menos de duas horas alfacinhas para completar 29 anos. estou sozinho em Praha. para o próximo ano entro nos "nta". melancolia suburbana barata à parte. venha o cálice do Porto.

Transgermânico I


não hesites! só tens que dar o primeiro passo. o resto do caminho vai-se descobrindo.

objectivos:
1. brandengurger tor
2.karluv most
3.tilburg

sempre de comboio...

levo no bolso o Frommer's, o Boorman, água, as línguas de gato do engenharias e claro as prendas.

apanho o primeiro comboio para Amsterdam, troco ai para o intercidades com destino a Berlin. primeira dúvida. no meio desta confusão toda será que apanhei o comboio certo. ainda vou parar à Mongólia.

Amersfoort?! Dasse!!! A ticketgirl devia ter-me avisado que precisava de mudar de machibumbo. Linha 2?! Ruuuuuuunn!!! espero que não hajam mais transbordos inesperados.

primeiros alvores... Apeldoorn! apercebo-me da beleza da paisagem. sinto agora que me afasto de casa e me aproximo do desconhecido.

Hengelo! última paragem antes de entrar na Alemanha. passport, please! controlo fronteiriço? mas não estamos na UE?! telefonema para aqui, telefonema para ali e a coisa segue sem problemas.

passo Hannover. concluo que a Alemanha está coberta de um branco lindíssimo!

duty free?! um ganda bigodes empurra o carrinho do café e do chá. já vi aeromoças mais engraçadas!

lá está ela! a antena de televisão, um dos marcos da cidade. aproximo-me de Berlin a galope.

atravesso os jardins gelados do Reichstag... com cautela pois quero chegar a Praha inteiro.

sigo as placas. fotografo a Porta. primeiro objectivo alcançado.

desço uns quateirões. a multidão denuncia o local.

BERLINER MAURER, 1961-1989

somos capazes de tudo.

percorro os cantos do que resta do muro e sinto um nó apertado no peito. a atmosfera, apesar de muito turística, é pesada. toca-se o sofrimento de outros tempos. afinal não foi assim há tantos anos. eu já era nascido. sou testemunha.

de volta à estação espero pelo próximo comboio com destino a Praha. tenho lugar reservado... numa carruagem que não existe. para já sigo no bar. quando me cansar logo se vê.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Misión cumplida!

Misión cumplida!

O dia começara madrugador. Preparara-me para uma longa jornada. Actualizava pela primeira vez o unquitness. Era preciso registar e publicar o que até então tinha vivido. Viajava sozinho e condição própria desta acção a partilha das experiência esgota-se nas letras.

Apanho a guaguas para Garafía (Santo Domingo). A aldeia mais portuguesa desta La Palma tão encantada pela nossa presença em séculos idos. Pergunto como chegar ao Observatório Astrofísico do Roque de los muchachos. - Táxi! Em Santo Domingo! Sólo uno! Tienen que llamar! Não vai ser fácil. Com sorte não está ocupado e leva-me lá acima.

Roque de los muchachos - 2426 metros de altitude e 50 euros de viagem (ida e volta, claro está)! Segundo objectivo alcançado!

Apanho uma segunda guaguas. Desta vez sou mesmo o único passageiro. Incrível o preço que deve custar este transporte insular ao contribuinte espanhol. Enfim!!! Ainda bem que existe pois senão com 30 euros não viajava tanto.

O sol pôe-se por detrás do mar. Começa a escurecer. Começo a perder a vista dislumbrante que é a paisagem do Barlovento palmero. Bananeiras dão lugar a pinheiros. A laurissilva espreita envergonhada. - Que pasa?! pergunto preocupado ao motorista - No pasa nada! responde-me depois de dialogar com o condutor de uma 4x4 que descia a rua que subiamos. Dois caminhantes acenam desesperadamente na nossa direcção.

- Are you going to Santa Cruz? pergunto depois de sair da guaguas e reparar que o casal insiste em ficar lá dentro. - You may change bus here!

Um casal sueco que resolve passar uns dias a caminhar pela ilha e que desesperadamente nos acenaram porque sabiam que este era o último guaguas que passaria até ao nascer do sol, e que se o perdessem pernoitariam à chuva sem abrigo fácil. Sortudos!!! Partilho algumas viagens. Comento que visitara Göteborg alguns anos antes e que gostara da cidade e da sua gente. Ele, ornitólogo por paixão e profissão, partilha comigo o gosto pelas aves que remeto para esse grande passarinheiro que me iniciou nestas andanças avídeas.

Novo dia. Último dia. Circum-navego a ilha por sul. A parte que falta. Visito e fotografo o farol mais meridional da ilha entre a chuva e o vento desagradáveis. Regresso a casa para passar a última noite. Real - Zenit! Num bódegon e que se via bem a coisa. Só deu Raúl! Que tento! O povo em delírio! Muito bom! Concluo que o verdadeiro teste à compreensão da língua estrangeira é o relato da bola. Não apanhei uma única palavra do que aquele jornalista disse! Livra!

Regresso ao aeropuerto e passo pela seguridad. Piii! Piii! Piii! Esqueci-me do cinto outra vez! Conho!

Consulten nuestro menu?! Nem um daqueles snacks manhosos! Não acredito! Low cost dá nisto! Tivesses trazido as tostas que resolveste oferecer ao dono do apartamento. Burro!

Este animal ressona que dói!

É impossível perceber o que esta hospedeira está a dizer em inglês! Ladiesandgentlemennowwewillshowthetworeardoors... Daaaaaaaaaasseeee!!!!! Gravem um bife a falar e limitem-se a passar a k7!!!

Aterro em Lisboa com os três objectivos alcançados - voar livre, trepar ao roque dos muchachos e circum-navegar a ilhota - tudo com 300 euros (alojamento e alimentação incluídos).

De La Palma ficam as memórias e a vontade de regressar às Canárias, acompanhado presuposto e com uns contactos no bolso.

Fue!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

La primera etapa es completa!!!

La primera etapa es completa!!!

Depois de mais de uma hora de atraso na descolagem do aeroporto de Lisboa eis que finalmente começou o Desafio.

Primeira surpresa - palamenta de louça no serviço do desayuno (fim do jejúm ou pequeno almoço como lho chamamos nós portugueses). Muito bom o serviço de bordo da Iberia, sem reclamações.

Depois de cambiar muitas avionetas chego a La Palma, La Isla Bonita (até agora nao descobri se o nome se relaciona com a famosa música da Madonna que ouvi na minha infância). La Guaguas, ou autocarro para nós, leva-me, carregadíssimo, até Santa Cruz de La Palma e daí até Tazacorte, o meu campo base nos próximos seis dias.

O velho truque de seguir na corrente de gente aqui não resulta, a não ser que se queira acabar no meio da ilha acompanhado de quinhentos turistas de terceira idade alemães. Por isso, sigo caminhando sozinho e concentrado no meu único objectivo - voar em La Palma!

Depois de uma primeira noite maravilhosa num colchão que pela manhã me levou a decidir que dormiria as restantes noites no tapete de ioga, apanho a guaguas para Puerto Naos, onde decorre a competição de voo livre que motivou a minha vinda a esta ilha. Na paragem do autocarro troco algumas opiniões com um boliviano, de La Paz, que está na ilha para trabalhar na agricultura e que me confessa que o trabalho não abunda por estes lados. Afinal a crise é Mundial e nem as ilhas lhe escapam. Nem esta ilha coberta de plátano e idosos alemães!!!

Passo a manhã a ver descolagens e aterragens, umas mais acrobáticas outras mais desafiantes da dor do impacto no solo, mas todas acabam bem. - Mira! Mira! Grita Maria, uma chicharrera de gema. Toda a gente na aterragem olhou para cima para ver um piloto que acabara de descolar , não da melhor maneira, e que tropeçava pela falésia abaixo antevendo-se um desfecho tenebroso! A sorte pegou nele e abriu-lhe a asa! Saiu a voar sem problemas e todos respiramos de alívio! - Mira! Es Mário! Um dos elementos do grupo que me apadrinhara e com quem voei dois dias. Maria, Luis, Samuel (a família), Mário e Angel (os amigos), Manolo (o motorista e ancião), Alejandro e Rocio (o casal) e Simba, el perro de Maria!! Todos muito castiços e amáveis!

Não partiram para su casa en Tenerife sem me deixarem algum contacto. Surpresa das surpresas! Mary la portuguesa! Uma luso-descendente que vive agora em Tenerife e que acompanhada de Miri, passou os últimos dias a escalar e a voar por La Palma, e que agora se encontrava ali, perto de nós. Fico com elas que mais tarde me levam até Tazacorte. Valeu pela conversa e pelas informações preciosas que me deram sobre a ilha e sobre o arquipélago.

Perro salva perro!!! A notícia do dia na TVE! Numa auto-estrada chileña um cachorro é atropelado. Um outro cachorro, mais pequeno, vê o acidente e resolve salvar o amigo. Corre para o meio da estrada, e depois de verificar que podia passar, arrasta o corpo do seu moribundo amigo para a berma da estrada. En dos palabras! Im-presionante! Falta-nos por vezes esta amizade, o sacrifício próprio em prol do próximo desamparado.

(vou sair que o tempo está a acabar e tenho que correr a guaguas para circum-navegar a ilha! Fue! :)

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Desafio III

06 a 13 de Dezembro de 2008

Eu lá estarei!!! Não para o 2º Desafio mas para o 3º!!! Por enquanto em lazer. Mais uma internacionalização das minhas asas.

Feeding the rat!!!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Gatwick 10 da manhã

Gatwick 10 da manhã. Central London? Platform 1 in 2 minutes or Platform 2 in 20 minutes! conseguimos se corrermos. Victoria Station! e agora?! Let the flow show you the way! nada melhor que perdermos-nos na multidão de uma capital europeia guiados apenas pela torrente de gente e pelo seu hipnótico murmúrio.

tenho a certeza que estamos perto? se bem me lembro o hotel fica por aqui! that way? no, that way! exactamente o oposto. o que é algo que sempre gostamos de ouvir quando andamos perdidos, cansados, sob chuva londrina faz mais de meia hora. voltar para trás na cidade onde apesar da chuva constante ninguém se lembrou de constuir prédios com varandas. livra!!!

the tube is simply amazing! e duvido que se encontre um local melhor para nos dissolvermos neste huge melting pot londrino. this is my space. don't touch me! don't touch me! máfia russa e ghetto africano. a coisa não vai acabar bem. devia ser rastafari. peace and love. keep smiling. está resolvido o subtil toque negro no forte joelho ariano. uff! estreito como o tube é estava a ver que ainda levavamos com os danos colaterais.

se a ASAE aqui viesse fechava esta m*#$!!! dos penaltis de tinto, às fatias de queijo de boca cheia passando pelo corte do pão com as mão limpas no avental, sem esquecer de apagar o giz do menu com o pano que limpa a bancada e o calor do fogo, vale tudo menos cobrar barato. se a ASAE aqui viesse fechava esta m*#$!!! meu querido empregado de mesa tuga. de bigode mas limpinho. valeu pelos autóctones que de ingleses aborígenas nada tinham para além do sotaque italiano num inglês quase perfeito.

os detalhes ficam para os netos...

valeu pelo tube, pelo Spitalfields Market, pelo Soho, pela Madame Tussauds, pelas milhas percorridas a pé entre Oxford Street e London Tower e claro... pela companhia, afinal as montras são melhores que mapas! ;)

nada melhor do que hoje estar aqui e amanhã em qualquer outra parte deste nosso pequeno mundo.